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terça-feira, 3 de agosto de 2010

MTB 2 Days em TERMAS do Gravatal - Relato de uma "desventura"

No último sábado, dia 31 de julho, tive a oportunidade de viajar a Termas do Gravatal para assistir a competição de MTB 2 Days organizada pela SULBRASILIS CORRIDAS DE AVENTURA. Em companhia de Rodrigo Rockfeller, membro do PEDAL CONTINENTE , tínhamos levado nossas bikes para, em princípio, fazermos algum pedal alternativos por aquela região cheia de estradinhas boas para um treino.



Ao chegar no local da prova e obter algumas informações sobre o as condições gerais do percurso fomos nos deixando levar pela empolgação e o desejo de participar do primeiro dos dois dias de prova previstos, mas de forma informal, sem pretensão nenhuma de êxito. Há algumas semanas sem condicionar o corpo pra uma prova como esta, fiz apenas algumas pedaladas de passeio e nenhuma musculação desde a última etapa, em Águas Mornas, tinha o propósito de meramente cumprir o trajeto em um ritmo de acordo com meu atual condicionamento.




Dada a largada as 15:30 eram em torno de 100 ciclistas colorindo as ruas da cidade e embrenhando-se em estradas de chão batido. As condições da estrada eram boas, com exceção de se tratar de chão batido com muita areia solta, o que significa que frear bruscamente não seria uma atitude muito exitosa, principalmente se tratando do que enfrentaríamos doravante.

Logo no quarto quilômetro de competição começava a pirambeira. Era uma subida seguida de outra ainda mais forte o tempo todo. Nesse trecho o pessoal foi se espalhando uns dos outros e fiquei pedalando junto com mais 3 competidores (um era da minha categoria sub-30) e íamos num bom ritmo. Algumas vezes ultrapassando alguns que quebravam no decorrer dos fatos. Ao chegar ao final da primeira das duas seqüências de subidas fortes tiveram algumas ondulações onde consegui me afastar de alguns e enxergar outros atletas de outras categorias que acabamos ultrapassando-os. Esta primeira seqüência de descidas foi fenomenal, atingindo 68,5km/h em algumas partes.



O segundo trecho de muita subida acumulada foi o momento em que o sangue começou a brotar nos olhos e induziu a forçar mais o rendimento. Em meio a um cenário bucólico magnífico uma e outra cãibra dividia minhas atenções entre rios e paisagens de realmente encher os olhos. Vinha subindo legal até chegar ao topo do último morro e começar o segundo e último despenhadeiro. Administrar a posição e cruzar a linha de chegada era o objetivo a partir de então.

O jogo se inverteu quando em uma descida excessivamente íngreme, estreita e escorregadia e eu com os pneus já sem todos os cravos da forma ideal para cumprir sua função acabei abrindo demais. Tentei frear mas derrapou e acabei  atravessando umas moitinhas na lateral da estrada e fui contido por uma cerca de arames farpados que protegia de um barranco com um enorme granito nada amistoso.

Ali meus óculos voaram sabe Deus pra onde, meu nariz e minha boca foram rasgados pelas farpas do arame e vários lanhos e hematomas brotaram dos braços, pernas, joelhos, pescoço, peito, etc... Com o rosto sangrando e com algumas dores fiquei com receio de continuar pedalando. Procurei meus óculos por alguns minutos mas não tive sucesso. Alguns competidores passavam por mim e perguntavam se tava tudo bem. Mas como se tratava de uma competição por tempo, não esperava que eles parassem pra me socorrer, mas sim que avisassem o pessoal dos staffs que tinha um ferido no caminho. Mas como no decorrer de quase 40km havia passado por pouquíssimos staffs, minha intenção de auxílio da organização do evento também não parecia muito próxima.

Um morador da região cruzou por ali de carro e se ofereceu pra ligar pra alguém e pedir socorro. Pôxa vida, cheguei até a pensar que ele me daria uma carona. Resolvemos pedir pra polícia tentar avisar a organização do evento sobre o ocorrido.

O tempo ia passando, as dores aumentavam e não vislumbrava ajuda emergencial. Então resolvi concluir os 5 ou 6 últimos km da prova e obter na linha de chegada este apoio médico tão esperado. Entre gemidos e lamentos fui pedalando na escuridão até cruzar por um veículo em outra descida e com os sentidos limitados escorregar numa canaleta da estrada e cair de peito no chão mais uma vez.

Sinceramente, meu desejo era de chutar e quebrar tudo o que visse pela frente, mas só conseguia emitir algumas onomatopéias desanimadoras.

Contar até mil, respirar fundo e continuar até o final. Não havia outro remédio. Avistei o pessoal que apontava o caminho certo de chegada e só ouvia “tu caiu?” ou “ estás machucado?” Daaaaaaime paciência.... preferi engolir minhas respostas a descer da bike e dar origem a mais uma depressiva matéria para o Hélio Costa.

Ao cruzar a chegada ainda esperei algo em torno de 10 a 15 minutos até o retorno de uma ambulância, pois ela havia saído para socorrer outro atleta que também sofrera uma queda e terminou com o saldo de uma aventura pra contar e um pulso quebrado.

Fico pensando cá com meus botões que se eu tivesse quebrado uma perna, por exemplo, estaria até agora lá sentado aguardando socorro. Minha sorte foi de ainda ter mínimas condições de pedalar mais um pouco. Outra questão é por que motivo a largada ser tão tardia a ponto de terminar a prova só a noite justamente com o trecho final tão perigoso e carente de iluminação e com tantas descidas extremamente inclinadas e com areia solta. Embora o percurso estivesse bem sinalizado, sugiro que tenha algum tipo de aviso nos trechos mais perigosos e, obviamente, maior número de staffs para proporcionar qualquer tipo de acessoria como água e rádios para comunicação com a organização. Como o amparo para um competidor que nos primeiros quilômetros deve ter caído feio e entortou completamente a roda da frente, mas logo o vi sendo carregado junto com sua bike pela equipe de fotógrafos.

Ao cruzar a chegada teve aquele momento de susto por parte de participantes e organização do evento, conversas, desabafos, alguma tensão quando um policial reclamou bastante sobre a precária estrutura de socorro e cobertura ao longo da corrida, aquele clima aturavelmente tenso... São pontos frágeis a serem aprimorados nas próximas competições.




Fui levado até o Hostpital de Braço do Norte, há 12km, onde fui devidamente atendido. Lá o médico limpou bem os ferimentos abertos, deu três pontos em meu nariz e mais três no lábio superior que rasgou por dentro também, fora o monte de agulhadas literalmente no meio da cara que até perdi as contas.

Rodrigão Rockfeller que tinha ficado no local da prova para guardar meus equipamentos e as bikes no carro foi ao hospital me buscar e dar aquele apoio moral indispensável nesse momento que adquiria mais uma eterna lembrança destas aventuras em duas rodas estampada em meu rosto.

Passando das 22h estava, enfim, liberado para desfrutar de meu lar-doce-lar. Porém, estava chovendo muito, estávamos absolutamente varados de fome, pois nem houve tempo de repor as energias e estávamos há uma centena de quilômetros de casa.

Tocamos direto até Laguna onde paramos para comer um “X-qualquer-coisa-urgente” em uma lanchonete. Entramos no estabelecimento causando espanto a qualquer pessoa que olhasse pra mim, incluindo este que vos escreve quando encontrei um espelho.

Chegamos em casa era pouco mais de 1h da manhã e nas piores condições. Ainda fui pra cozinha fazer um “carreteiro bem gaudério” pra calar a boca das lombrigas que berravam em coro por alimento.

Banho tomado, feridas limpas e devidamente tratadas, o corpo exausto do excesso de esforço e das dores das quedas, caí na cama e os pensamentos que me ninaram foram os seguintes....

Entre mortos e feridos estou vivo, feliz e com saúde. Sei que em uma semana tirarei os pontos, poderei recomeçar os treinos de musculação e em 2 semanas espero estar pedalando novamente com a raça toda e rindo do episódio aqui relatado.



Saber ponderar em terrenos que jamais percorri e que oferecem risco é essencial pra permanecer respirando sem a ajuda de aparelhos.

É necessário exigir a melhor estrutura de segurança possível por parte das organizações destes eventos, mandando emails, questionando, exigindo qualidade de alguma forma para que cada vez mais pessoas se animem a pedalar e a competir, evoluindo cada vez mais o cenário local em relação a MTB e promovendo este esporte.

E por último... Espero ansioso o recomeço dos treinos e a próxima prova pra mandar toda essa energia densa pra bem longe e poder compartilhar uma futura vitória com meus amigos e familiares. Saravá, meu Pai !!!!!

Um baita abraço e até o próximo relato !!!


Leandro Karam

10 comentários:

  1. o loco mano!!! tas pronto para gravar o novo filme do Chuck o boneco assassino, com o rosto todo talhado! hahaha
    muito bom o relato...se eu fosse vc escrevia um livro "As desventuras de Leandro Karam" hehehehe
    abraço e melhoras para o amigo!
    Bruno Carlon

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  2. Porra Professor...Se Trata bm antes de ir pra aula heim kk' Zoa.. Melhoras ai..

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  3. Dizer o que do Leandro? O cara é foda! Tive o prazer de estar com ele em Gravatal, no MTB 2 days. Só esperando prá próxima aventura!
    Valeu, monster.
    Abraço.
    Rodrigo Rockfeller

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  4. joao ciclo vil bike4 de agosto de 2010 10:51

    figura abre teu olho e trata de por um oculos novo nessa fuça porque se nao o bicho pega vou te deixa pra tras na descida visto que agora tens um truma...hahahahahah abraço mano e melhoras logo

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  5. nariz digno de intervençoes de body-art usando como recurso arame farpado! good job, mate! Força que é nois! baita abraço

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  6. Arame farpado na boca, no rosto e nos braços? Cair novamente de peito no chão? Rá! Não dá nada! Não foi nada!! Naaada!!
    O Leandro é de borracha! Sempre foi e sempre será! Logo não existirá mais machucados, apenas cicatrizes discretas. Paulada!

    Abraço!!

    Cassiano Miranda

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  7. BAhhhh guriii tá doido.
    Me apavorei lendo seu relato e vendo suas fotos, imagina o quao horrivel foi passar por tudo isso ...
    :(
    Espero que estejas melhor.
    Bjao

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  8. É por essas e outras (que inclusive ja fui testemunha), que seeeempre digo!!!!
    Um Irmão Paulada, Sempre será um Irmão Paulada!!!!
    PQP brother!!!! foi feio o negocio, mas como tu mesmo disse, ta vivo e pronto pra outra!!!
    Um Forrrrte Abraço meu velhooo!!!!!!!!!!!!!!!

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